CUESTAS BASÁLTICAS DE BOTUCATU E FAIXA LITORÂNEA

 

       Trabalho de campo do Centro Universitário Sant’Ana monitorados pelos Professores Ronaldo e Sandra, levando para campo técnicas de pesquisas e teorias sobre as estruturas geológicas com apoio cartográfico referencial do estado de São Paulo em particular o trecho percorrido por nos alunos e professores na rodovia Castelo Branco e Baixada Litorânea. Este trabalho tem com estrutura dorsal os principais aspectos pedológicos, geomorfologicos, climáticos, hidrográficos e estruturas geológicas dos trechos percorridos com paradas monitoradas e coletas de amostras, dando base a um contexto geomorfoclimatico regional trabalhado. O trabalho esta desenvolvida apartir de elementos de pesquisas bibliográficas, fotográficas, aspectos  aparentes, materiais coletados, e teorias relacionadas. 

 

2 – OBJETIVO

 

       O objetivo do trabalho é exclusivamente a de formação acadêmica investigando fisicamente o local da pesquisa dando bases e contextos didáticos aos elementos estudados no curso de geografia na área de geologia, onde esta interação linka conceitos antes pré-estudados com os resultados em campo obtidos levando a um complexo embasamento de fatores a um futuro profissional “Geógrafo” no mercado profissional.

 

 

3 – ITEMIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

 

       A itemização do trabalho se desenvolve apartir da expedição a campo com 9 pontos de paradas para análise e coletas de matérias na parte continental percorrendo a rodovia Castelo Branco ate a face frontal da estrutura geológica conhecida como “Cuesta” próximo de Botucatu SP. A segunda fase da expedição é dada pela faixa que faz a interface entre o plator continental e a baixada litorânea, onde já na baixada foram identificados 4 pontos de paradas para estudos.

 

Pontos de estudos 

 

              Rod Castelo Branco                                                         Baixada Litorânea

Pt-01                 km 10             - Corte estrada                  Pt-01             Rio Itanhaem                                                                                                                        -foz e mangue

Pt-02                 km 53             - Corte estrada                  Pt-02             Praia Grande                                                                                                                        -urb restinga

Pt-03                 km 64             - Corte estrada                  Pt-03             São Vicente                                                                                                                        -Mangue 

Pt-04                 km 70         - Corte estrada               Pt-04           Ecovias                                                                                                                       -Falha cubatão

Pt-05                 km 80             - Corte estrada

Pt-06                 km 160           - Corte estrada

Pt-07                 km                   - Serra de Botucatu

Pt-08                 km 189 volta   - Corte estrada

Pt-09                 km 171 volta   - Corte estrada

 

4 – ASPECTOS FÍSICOS (DEPRESSÃO + LITORAL)

 

4.1 – GEOLOGIA

 

xxxxxNo percurso do trabalho desenvolvido, tivemos o privilégio de testemunhar, nas suas rochas e formações, um relato da interessante história geológica local. As formações geológicas nesta região são representadas por rochas sedimentares e vulcânicas, formadas a partir do Paleozóico (a partir de 570 Milhões de anos - Ma), num ambiente pouco perturbado por fenômenos tectônicos. Encontram-se presentes as formações Pirambóia, Botucatu, Serra Geral e Marília, além de sedimentos originados no Cenozóico (a partir de aproximadamente 65 Ma), formados pelo retrabalhamento das formações depositadas anteriormente.

xxxxxA Formação Pirambóia, originada a partir do início do Triássico (245 Ma), é formada por arenitos de origem fluvial, que exibem estratificações plano-paralelas. Estas afloram principalmente nas cotas mais baixas da região, ao longo dos rios. A Formação Botucatu, formada entre o Período Triássico e Jurássico (220-185 Ma), é constituída por arenitos róseos, avermelhados e esbranquiçados, de origem eólica. Em seus afloramentos, na forma de paredões, é possível observar estratificações inclinadas que evidenciam a deposição dos grãos de areia pela ação dos ventos em antigas dunas, típicas de ambientes desérticos. Nelas guarda-se o registro da passagem de dinossauros na região na forma de pegadas fossilizadas.

         No Cretáceo Inferior (a partir de 145 Ma até 90 Ma), originou-se a Formação Serra Geral a partir de um intenso vulcanismo de fraturas profundas, iniciado ainda quando predominavam as condições desérticas da deposição da Formação Botucatu. Estes derrames estão relacionados à abertura do Oceano Atlântico e à separação do continente sul-americano da África. Após o vulcanismo, ocorreu a deposição dos arenitos de origem fluvial da Formação Marília do Cretáceo (136 Ma até 65 Ma.), os quais afloram hoje no topo das serras mais elevadas.

xxxxxOs arenitos da Formação Botucatu e as rochas basálticas da Formação Serra Geral sustentam serras mais resistentes à erosão e constituem as formas de relevo denominadas "cuestas" (relevos tabulares limitados por escarpas abruptas). Além das cuestas, pequenos morros isolados, chamados testemunhos, ocorrem na região e também são formados pelos arenitos da Formação Botucatu (Cuzcuzeiro, Morro Pelado e Morro da Guarita).

 

Considerações de Ordem Tectônica

 

       A Bacia do Paraná é uma unidade geotectônica estabelecida por subsidência sobre a Plataforma Sul-Americana a partir do Siluriano/Devoniano Inferior e que atingiu sua máxima expansão entre o Carbonífero Superior e o final do Permiano. Na região mais profunda desta Bacia, que engloba a porção do Pontal do Paranapanema no Estado de São Paulo, a espessura total de sedimentos e lavas basálticas pode ultrapassar 5.000 metros. Após atravessar longo período de relativa estabilidade, cujo apogeu, no Permiano, é marcado pela deposição dos sedimentos do Subgrupo Irati, a Bacia do Paraná começa a registrar, ainda no Permiano, sinais de intensos processos tectônicos que culminariam, no início do Cretáceo, com o extravasamento das lavas basálticas da Formação Serra Geral. Como evidência mais antiga de tal tectonismo, SOARES & LANDIM (1973) destacam a desconformidade existente entre os folhelhos pretos do Subgrupo Irati para arenitos e siltitos da Formação Serra Alta, sobreposta, bem reconhecida no nordeste da Bacia do Paraná. Também destacam, na região do Domo de Pitanga, a descontinuidade entre estes folhelhos e os siltitos da Formação Corumbataí, situados acima. Adicionalmente, descrevem diques clásticos na Formação Corumbataí na região de Ipeúna e Charqueada (SP); descrevem estruturas semelhantes, injeções de areia e falhas com rejeito dessimétrico, em camadas de dunas eólicas litorâneas da porção inferior da Formação Pirambóia. Estas manifestações são interpretadas, como resultado de abalos sísmicos durante os estágios precursores da ruptura continental que afetou o megacontinente Gondwana, culminando com a abertura do Oceano Atlântico sul, cenário que influenciou, em maior ou menor grau e dependendo da posição geográfica, a deposição das unidades do Grupo São Bento, as quais encerram o ciclo deposicional relativo à Bacia do Paraná, que tem como marco superior o magmatismo Serra Geral. Em termos de estruturas, destaca um grande número de lineamentos existentes na borda nordeste da Bacia do Paraná no Estado de São Paulo, alguns deles cortando a área. A estes lineamentos estão associadas diversas intrusões de rochas alcalinas, além de altos estruturais já de longa data referidos na literatura

 

 

Formação Aquidauana

 

       Os sedimentos desta Formação repousam diretamente sobre o embasamento cristalino, e o contato superior com a Formação Tatuí, sobrejacente, é discordante. Segundo IPT (1981b), a espessura máxima exposta da Formação Aquidauana é de cerca de 300 metros, na região Litologicamente podem ser reconhecidos dois conjuntos faciológicos distintos: um inferior e outro superior. No conjunto inferior há predominância de sedimentos essencialmente arenosos, de cor vermelho-tijolo predominante, e siltitos. Os arenitos são de granulação bastante variada e exibem estratificação planar de pequeno a médio porte. Os diamictitos presentes contêm seixos e matacões em pequena proporção, de composição variável, com a quantidade de seixos diminuindo em direção à seção superior do conjunto faciológico. No conjunto superior às tonalidades avermelhadas da seqüência inferior praticamente desaparecem, passando a dominar clásticos grossos, arenitos, conglomerados, diamictitos, com subordinação de siltitos, ritmitos e folhelhos. Os arenitos, quando não maciços, normalmente mostram estratificação plano-paralela ou cruzada, acanalada ou tangencial.

 

Formação Tatuí

 

       As rochas desta unidade ocorrem, na área ao sul de Cássia dos Coqueiros. É composta por dois conjuntos faciológicos chamados de membros (embora não cartografados distintamente) por CAVALCANTI et al. (1979). O membro inferior é formado de siltitos arenosos de coloração marrom-avermelhada a arroxeada, localmente com manchas esverdeadas, em parte calcíferos e dominantemente maciços. Subordinadamente possui arenitos de granulação muito fina, por vezes média, avermelhados. O membro superior apresenta na base arenitos de granulação média, biotíticos, exibindo, às vezes, laminação ondulada, estratificação cruzada, além de eventuais camadas bioturbadas. Sobre os arenitos acima descritos ocorrem siltitos arenosos, de cor esverdeada a amarelada, localmente com finas camadas e concreções de sílex. De idade permiana, dispõe-se sobre a Formação Aquidauana em contato discordante erosivo, e é recoberta pela Formação Corumbataí, também em discordância.  

 

 

Grupo Passa Dois

 

       Embora seja constituído por diversas formações na maior parte da Bacia do Paraná, na porção centro-leste a nordeste do Estado de São Paulo acha-se representado apenas pela Formação Corumbataí, a qual apresenta relativamente extensa faixa de ocorrência na área.

 

Formação Corumbataí

 

       Ocorre, principalmente na porção centro-leste, nas cercanias de Tambaú, de onde estende-se para norte, em faixa contínua mas irregular, até a região a leste de Cássia dos Coqueiros, adentrando o Estado de Minas Gerais com faixa de ocorrência inferior a 1 km de largura. Exibe relações estratigráficas concordantes com a Formação Irati, sotoposta (não aflorante na área). Contudo, é possível que repouse sobre unidades mais antigas (IPT 1993). O contato superior com a Formação Pirambóia é discordante. Pressupõem, com base nos dados levantados na base da seção, a presença da Formação Serra Alta. Tal unidade é representada por argilitos, folhelhos e siltitos cinzas escuros e pretos, com fraturas conchoidais e concreções calcíferas; exibe também um seqüência de argilitos e folhelhos cinza escuros, de aspecto rítmico, com ocasionais leitos de calcário silicificado, o olítico em parte, além de níveis coquinóides. Tal seqüência basal refletiria o sistema plataformal epinerítico Serra Alta. Neste contexto, apenas a porção superior, constituída por arenitos finos argilosos e siltitos carbonáticos esverdeados refletiria o sistema de planície de maré Corumbataí.

 

Grupo São Bento

 

       Neste Grupo estão enfeixadas as rochas de idade mesozóica da Bacia do Paraná que ocorrem na área as quais ocupam mais de 50% de sua extensão territorial. As duas unidades da porção inferior, formações Pirambóia e Botucatu, constituem-se de sedimentos continentais predominantemente arenosos, enquanto que a porção superior é representada pelas rochas basálticas da Formação Serra Geral. Incluem-se ainda, no Grupo São Bento, as soleiras e diques de diabásio, bastante freqüentes na porção da área situada na Depressão Periférica Paulista.

 

Formação Pirambóia

 

       Os sedimentos desta Formação ocorrem na porção central da área onde foram descobertos pela erosão da capa representada pelos arenitos da Formação Botucatu e pelos basaltos da Formação Serra Geral. Apresenta área de exposição bastante irregular e descontínua, recobertas que estão por soleiras de diabásio (além das formações já citadas) e de depósitos cenozóicos. Na região estão representados por arenitos esbranquiçados, amarelados, avermelhados e róseos, médios a muito finos, ocasionalmente grossos, regularmente classificados, síltico-argilosos, quartzosos, com grãos subarredondados, e intercalações de siltitos e argilitos. Raramente ocorrem arenitos conglomeráticos, com matriz argilosa. (IPT 1993). A porção basal da unidade é constituída por arenitos médios e finos, moderado a bem selecionados, com grãos subarredondados, que constituem camadas de espessura métrica, com superfícies de truncamento que delimitam corpos de geometria cuneiforme (em corte), com estratificação cruzada do tipo tangencial na base (MATOS 1995), de médio a grande porte. Ocorrem também intercalações de camadas com espessura de até 3 m, de arenitos médios e finos com seleção moderada, mas com estratificação plano-paralela, finas camadas de argilitos e siltitos, além de raras lentes de arenitos conglomeráticos. É composta por uma sucessão de camadas arenosas de coloração avermelhada a esbranquiçada, que podem atingir 270 m de espessura em superfície (SCHNEIDER et al. 1974), e até 350 m em subsuperfície. Apresentam espessuras das formações Pirambóia e Botucatu constatadas em poços perfurados na área. Estes arenitos têm sua origem atribuída a ambiente predominantemente eólico com os sedimentos pelíticos associados representando a acumulação de lamas (por suspensão), em lagoas temporárias, nas regiões baixas entre as dunas. O contato inferior com a Formação Corumbataí, tido como discordante por diversos autores é também admitido como de passagem transacional. MATOS (1995), estudando a passagem entre o topo do Grupo Passa Dois e a Formação Pirambóia no Estado de São Paulo, caracteriza a Camada Porangaba no topo do Grupo Passa Dois, que "mantém contato abrupto com a base da Formação Pirambóia, o qual marca uma passagem da deposição por marés para a regida por ventos", quando "o corpo aquoso recuou permitindo o avanço da deposição eólica", mas "sem provocar erosão e sem permitir exposição prolongada". Para MATOS & COIMBRA (1997) o contato entre as camadas da Formação Pirambóia e o topo das unidades do Grupo Passa Dois é uma descontinuidade que ocorre superfície abrupta e plana, sem evidência de erosão ou exposição prolongada. Seu contato superior é gradativo, com ocorrências locais de diastemas, onde se concentram seixos na base da Formação Botucatu. 

 

Formação Botucatu

 

       A Formação Botucatu é constituída por arenitos avermelhados (por vezes róseos a esbranquiçados) com estratificação cruzada tangencial de médio a grande porte, de granulação fina a média, com grãos bem selecionados e bem arredondados, em geral foscos e apresentando alta esfericidade. Localmente podem ocorrer, principalmente na porção basal da unidade, corpos lenticulares de arenitos heterogêneos, de granulação média a grossa, passando a arenitos conglomeráticos, cujos seixos são em sua maioria de quartzo e quartzito. Sedimentos lacustres em camadas de espessura máxima da ordem de alguns metros, constituídos de leitos de argilito e siltito argiloso com estratificação em geral plano-paralela, podem existir em meio aos arenitos eólicos. A espessura total das exposições, no Estado de São Paulo, pode chegar a 100 m; entretanto, em sondagens, esses valores provavelmente excedem a 200 m (IPT 1981b). Na deposição da Formação Botucatu predominou ambiente eólico, num grande deserto de aridez crescente que perdurou até o início do vulcanismo basáltico, onde pequenas lagoas periódicas acumularam os sedimentos clásticos finos. O contato superior com a Formação Serra Geral se dá por interdigitação, com a alternância de derrames basálticos e lentes de arenitos eólicos ou mesmo de sedimentos clásticos finos depositados em pequenas lagoas.

 

Formação Serra Geral

 

       É representada pelas rochas oriundas dos derrames de lavas basálticas e pelos diabásios, intrusivos tanto na forma de soleiras (sills) como de diques nas unidades sedimentares da Bacia do Paraná. Os basaltos ocupam praticamente toda a terça parte oeste da área, aproximadamente desde os divisores de água da margem direita do Ribeirão Tamanduá e esquerda do Ribeirão da Prata ou do Adão, ambos afluentes do Rio Pardo, pela margem esquerda e direita (respectivamente), a leste de Ribeirão Preto. As soleiras de diabásio apresentam área de ocorrência aproximadamente coincidente, embora de proporções menores, com as áreas de ocorrência das formações Corumbataí e Pirambóia, ou seja, na porção central, onde aparecem em manchas irregulares desde a região de Tambaú e Casa Branca, a sul, até um pouco a norte de Cássia dos Coqueiros e as proximidades de Altinópolis, a norte. Os basaltos são toleíticos e apresentam espessura individual bastante variável, desde poucos metros a mais de 50 m e extensão também individual que pode ultrapassar a dez quilômetros. Neles intercalam-se arenitos com as mesmas características dos arenitos da Formação Botucatu, a maioria com estruturas típicas de dunas e outros indicando deposição subaquosa. Os diabásios são em geral de granulação fina, cinza escuro a negros, maciços, e neles destacam-se ripas de plagioclásio. A espessura máxima da Formação foi medida em sondagem em Cuiabá Paulista (Pontal do Paranapanema, Estado de São Paulo), indicando 1.700 m de derrames. Tal pacote adelgaça-se para as bordas do Planalto Ocidental, onde as serras basálticas possivelmente não alcançam um terço desse valor (IPT 1981b). Na área, entretanto, por tratar-se de borda da Bacia do Paraná e, inclusive, com grande porção onde já não se observam derrames, suas espessuras são de pequena expressão e bastante variadas, conforme se pode observar. Os derrames são constituídos por rochas de coloração cinza escura a negra, em geral afaníticas. Naqueles mais espessos, a zona central é maciça, microcristalina e apresenta-se fraturada por juntas de contração subverticais (disjunção colunar). Na parte superior dos derrames aparecem vesículas e amígdalas (estas parcial ou totalmente preenchidas por calcedônia, quartzo, calcita, zeólitas e nontronita), além de grandes geodos que podem ocorrer na sua parte mais profunda. A porção basal dos derrames também pode apresentar tais características, porém em espessura e abundância sensivelmente mais reduzidas. Tanto a base como o topo dos grandes derrames apresentam juntas horizontais, o que deve ser resultado, pelo menos em parte, do escoamento laminar da lava no seu interior. O contato superior da Formação com as unidades mais recentes é discordante, marcado por uma importante superfície erosiva (Superfície Japi de ALMEIDA 1964, apud RICCOMINI 1995), cujo desenvolvimento resultou na destruição dos aparelhos vulcânicos e a exposição de diques e outras estruturas subvulcânicas.

 

 

BAIXADA LITORÂNEA 

 

As Baixadas Litorâneas são aqui mantidas no conceito original de Almeida (1964), com algumas modificações quanto à posição de seus limites.

Os sistemas de relevo presentes são as PLANÍCIES COSTEIRAS (121) que predominam em área e os TERRAÇOS MARINHOS (122), expressivos na região a sudoeste de itanhaém e principalmente no trecho final do Rio Ribeira de Iguape. Os MANGUES (123) constituem nas baixadas, setores muito limitados em área, ocorrendo por exemplo na região de Bertioga, São Vicente e Cananéia. 

As baixadas litorâneas para Ab'Saber (1956, pág. 15) caracterizam‑se por constituírem "Planícies costeiras reduzidas e descontínuas, correspondentes a colmatagem flúvio‑marinha recente, de antigas indentações dos sopés das escarpas de falhas em recuo... No Litoral Norte, onde os esporões da Serra do Mar e os pequenos maciços e morros litorâneos isolados atingem diretamente as águas oceânicas, dominam costas altas e jovens; enquanto no Litoral Sul, enfeixadas por extensas praias‑barreiras, as planícies fitorâneas apresentam maior largura e maiores tratos de terrenos firmes, discretamente ondulados". 

Salienta ainda que "A partir ‑dos estudos pioneiros de Pierre Deffontaines (1935), todos os modernos pesquisadores que têm cuidado do litoral paulista puseram em evidência tais contrastes morfológicos existentes átre o chamado Litoral Norte (leste‑nordeste) e o chamado Litoral Sul (sul‑sudoeste)". 

Almeida (1964, pág. 225) ao analisar as baixadas litorâneas paulistas, apresenta‑as "como terrenos não mais elevados que uns 70 in sobre o mar, dispostos em áreas descontínuas à beira‑mar. Seus aspectos são mais diversificados e maiores suas extensões nos trechos compreendidos entre Santos e os limites ocidentais da província, que no impropriamente chamado 'litoral norte'. Naquele trecho distinguem‑se as baixadas de Santos, Itanhaém e da Ribeira de Iguape, esta a mais ampla". 

As Planícies Costeiras desenvolvem‑se sobre um pacote de sedimentos quaternários, que obedecem basicamente ao mesmo padrão de distribuição em toda a costa paulista, comportando diferenças de espessura. Assim, tem‑se na base sedimentos fluviais correlacionáveis à Formação Pariquera‑Açu, que passam para depósitos predominantemente argilosos de ambiente misto, capeados por depósitos arenosos de origem marinha, referidos à Formação Cananéia. 

Diversos foram os estudos regionais sobre as baixadas litorâneas, entre eles os de Silveira (1952), 

à Ab'Saber (1956) e Almeida (1964). Neste último estudo foram distinguidos os trechos da Baixada do Ribeira de Iguape, a Baixada de Itanhaém e a Baixada de Santos, cujos limites são dados por espígões que da Serrania Costeira avançam até o mar, em Mongaguá e Peruíbe. 

Nos últimos 10 anos, inúmeros estudos de caráter local e regional muito contribuíram para o conhecimento da constituição litológica e das características morfológicas das planícies costeiras, tendo‑se como resultado expressivo às sínteses regionais de Fúlfaro et alii (1974) e Suguio & Martin (1978). 

Fúlfaro et alii (op. cit.) dividiram o litoral pa~lista em três compartimentos distintos, cujas características Principais são devidas ao forte controle estrutural e aos diversos processos de sedimentação quaternários que lhes imprimiram feições locais, e cujos limites são dados por linhas estruturais. Para esses autores, o norte do Estado constitui o Compartimento Caraguatatuba, que se estende da Planície de Caraguatatuba à divisa do Estado do Rio de Janeiro. Esse compartimento caracteriza‑se por uma linha de costa com predomínio de pequenas enseadas e praias de bolso, e possui características de uma costa de submersão, com significativas diferenças tanto granulométricas como mineralógicas com a área sul. Nesse compartimento a enseada de Caraguatatuba constitui exceção pela sua extensão e área total de cerca de 70 kM2. Esses autores definiram o Compartimento Santos‑Itanhaém‑Peruibe, que se estende da Ponta de Boracéia até a região da Serra de Itatins, e o Compartimento lguape‑Cananéia que se desenvolve da Serra de Itatins até o limite com o Estado do Paraná. 

Suguio & Martin (1978) dividem o litoral paulista em duas partes com características inteiramente diferentes. São definidas quatro unidades, cujos limites naturais são dados pela presença de pontões do embasamento pré‑cambriano. 

De sul para norte esses autores definem as seguintes unidades: Unidade Cananéia‑Iguape, Unidade Itanhaém‑Santos, Unidade Bertioga‑Ilha de São Sebastião e Unidade Ilha de São Sebastião‑Serra do Parati. 

De modo a explicar as diferenças morfológicas contrastadas entre os chamados litoral norte e sul, os autores admitem também diferenças na dinâmica de sedimentação por influências tectônicas. 

Deve‑se ressaltar que existem diferenças básicas nos mecanismos tectônicos apresentados por Fúlfaro et alii (1974) e por Suguio & Martin (1978). Enquanto os primeiros atribuem as diferenças morfológicas do litoral a elementos tectônicos oblíquos à linha de costa, os outros procuram apontar como causa dessa distinção, mecanismos de flexura continental diferencial, a partir de elementos tectônicos paralelos à linha de costa, interpretação que encontra apoio em trabalhos geológicos mais recentes (Hasui et alii, 1978a; CPRM, 1977a, entre outros).

 

 

Depressão periférica

 

Generalidades 

Segundo Ab'Saber (1969g, pág. 2) a Depressão Periférica Paulista tem a forma de "um corredor de topografia colinosa de aproximadamente 50 km de largura, nitidamente embutido entre a cuesta da Borda da Mata e Monte Santo e as elevações cristalinas do acidentado Planalto Atlântico. Ao atingir o médio Mogi‑Guaçu a depressão atinge de 80 a 100 krn de largura, alcançando 120 km na área do médio Tietê. Na área em que a depressão se encurva de SW para W rumo ao segundo Planalto do Paraná, sua largura média continua a oscilar entre 80 e 120 km, comportando, entretanto, sutis modificações topográficas e morfológicas". 

Assinala ainda esse autor que coube a Denis (1927) identificar a presença de uni compartimento topográfico deprimido, entre as serras cristalinas e as Cuestas Basálticas. Referindo‑se ao aspecto monoclinal das estruturas do interior paulista Denis (op. cit.) reconheceu ainda os efeitos da erosão diferencial na gênese dessa depressão, designando‑a porém pela expressão "plaine". 

Moraes Rego (1932, pág. 22), denominou este relevo de depressão periférica admitindo uma fase de peneplanização eocênica e uma fase de sedimentação pliocênica, concluindo que entre a peneplanização eocênica e a sedimentação pliocênica teria sido aberta "uma depressão periférica a leste dos lençóis eruptivos, desnudando as camadas inferiores do sistema de Santa Catarina pela ablação dos arenitos da série São Bento não protegidos". 

James (1933) referiu‑se à depressão com uma "inner lowland" característica e analisou ainda a existência de pequenas cuestas em seu interior. 

Deffontaines (1935, apud Almeida, 1964, pág. 228), ao estudar essa província, subdivídíu‑se em três unidades que muito se justificam geornorfologicamente, "pois que a área drenada para o rio Tietê mostra relevo muito mais diversificado, pois que mais fundamente erodido que o das zonas vizinhas, tendo suas estruturas resistentes postas em claros ressaltos topográficos". 

Martonne (1940) caracterizou a existência de urna superfície de aplainamento de idade neogênica, no interior da Depressão Periférica paulista, e daí por diante todos os autores passaram a se referir a essa superfície, denominando‑a de formas diversas. 

Almeida (1964), para facilidade de indicação cartográfica e de descrição do relevo, adotou a divisão proposta por Deffontaines (1935) subdividindo a província em três zonas, a saber: do Médio Tietê, do Mogi‑Guaçu e do Paranapanema, delimitadas segundo os divisores d'água desses rios. 

A Depressão Periférica corresponde à faixa de ocorrência das seqüências sedimentares ínfrabasálticas paleozóicas e mesozóicas do Estado de São Paulo, incluindo ainda áreas descontínuas de corpos intrusivos, sob a forma de diques e "sills" de diabásio. Pequenas áreas de rochas pré‑cambrianas são ainda incorporadas a esta província.

Sua origem, segundo Ab'Saber (1969g, pág. 1) é predominantemente denudacional, tratando‑se de "um dos mais notáveis e esquemáticos casos de 'morvans' intertropicais conhecidos na literatura geomorfológica". 

Na área de domínio das rochas paleozóicas, os contrastes litológicos, a estrutura horrioclinal e diferentes inclinações das camadas comandam os processos erosivos, destacando saliências cuestiformes de pequena expressão. Tais saliências são suportadas por rochas carbonáticas da Formação Irati, níveis de sílex da Formação Corumbataí, além das intrusivas básicas que cortam os sedimentos. Essas camadas sedimentares têm em geral baixa inclinação sempre para NW, variando de cerca de 20 m/km a 3 m/km, da base dos sedimentos do Grupo Tubarão em direção às camadas mesozóicas. Estas últimas acham‑se representadas pelos arenitos da Formação Pirambóia, especialmente expostos a montante da "percée" do Rio Tietê. 

Para Christofoletti (1968b) não há uma exata correspondência entre limites geológicos e georriorfológicos. 

De fato, cabe notar que a Depressão Periférica marca uma acentuada mudança de movimentação do relevo, em relação àquela presente nas províncias adjacentes. 0 relevo mais montanhoso que caracteriza a área do Planalto Atlântico cede lugar na Depressão Periférica, a um relevo colinoso que não está diretamente vinculado as litologias sedimentares, pois transgride seus limites e avança por sobre rochas graníticas, metamórficas e migmatíticas do embasamento. 

Esta aparente independência para com a geologia deve‑se ao nivelamento imposto pela superfície de Itaguá as litologias pré‑cambrianas e que só em tempos mais recentes vieram sendo expostas pela erosão. Onde o entalhamento é mais profundo, formaram‑se relevos de morros como os relevos mistos do tipo MORROS DE TOPOS ACHATADOS (242), que correspondem ao produto do entalhamento de 

áreas colinosas pelos canais de drenagem antecedentes, aproveitando direções de fraqueza dadas pelas estruturas. Estes relevos não foram incluídos na Depressão Periférica devido às maiores amplitudes e à maior energia do relevo em relação às colinas e morrotes da área sedimentar. Os topos amplos e suavizados destes morros contrastam com suas vertentes mais abruptas e freqüentemente ravinadas. 

Na porção sul da Serrania de São Roque, a Serra de São Francisco é um exemplo desta situação.Trata‑se de elevação destacada no relevo, mas internamente é bastante arrasada e rebaixada por aplainamento. Isto se deve não só ao fato de ser modelada ein. rochas graníticas, mas também à influência de falhamentos em seus flaricos NW e SE, a que correspondem litologias menos resistentes, que possibilitam a evolução e alargamento dos vales. 

Exemplos de situações similares, embora devidas à superfície Itapeva, mais antiga que a de Itaguá, foram descritos também na região a sul de ltapeva‑Itararé, no item referente ao Planalto de Guapiara. São sempre relevos rebaixados que guardam vestígios do controle estrutural das litologias pré‑cambrianas em seu modelado, no traçado da drenagem e na ocorrência de trechos mais íngremes de encostas marginais aos topos aplainados. 

Os limites entre a Depressão Periférica e as Cuestas Basálticas são bem definidos nas regiões de ESCARPAS FESTONADAS (521), como nas proximidades da Represa de Barra Bonita e a norte da Repressa de Jurumirim. Estas regiões são coincidentes com as "percées" do Tietê e Paranapanema, respectivamente. Da Serra do Itaqueri para nordeste, os limites não são tão bem marcados, estando representados por manchas de relevos residuais suportados por maciços básicos, ou, mais raramente, suportados por rochas sedímentares. Tal distribuição de relevos residuais é concordante, "a grosso modo", com os limites de "sills" de rochas intrusivas básicas que se intercalam nas seqüências sedimentares do Grupo Passa Dois e mesmo nas formações Pirambóia e Botucatu. 

Na região a sul de Cerqueira César, a Depressão Periférica faz limite diretamente com o Planalto Ocidental e por não haver diferença de relevos tal separação se constitui num limite convencional.

 

4.2 – GEOMORFOLOGIA

 

          A bacia hidrográfica do Rio Jacaré-Pepira tem parte de seu curso dentro das Cuestas Basálticas e seu curso final no Planalto Ocidental, Entende-se por Cuestas Basálticas, um relevo escarpado, dissimétrico, seguido de uma sucessão de camadas com diferentes resistências ao desgaste e de grandes plataformas estruturais de relevo suavizado, inclinadas para o interior em direção à calha do Rio Paraná. O topo é denominado de frente da cuesta e a base de reverso da cuesta. O entalhamento do reverso dessas cuestas , um corte íngreme na região frontal, deu lugar a grandes anfiteatros de erosão, e muitos destes cortes apresentam quedas d’água (Maier, 1983).

Segundo Maier, 1983, no Planalto Ocidental, podem ocorrer escarpas locais que recebem nome de serras (Ex.: Serra de Dourado e Brotas). Na bacia , ocorrem quatro tipos de relevo, relevo de degradação, formado por planícies aluviais, sujeitas a inundações e localizadas na calha do rio Jacaré-Pepira e de alguns de seus afluentes . Seguem-se relevos de degradação em planaltos dissecados, formados por colinas amplas com topos extensos e aplainados , colinas médias e topos aplanaidos, morros amplos com topos arredondados, morrotes e espigões com topos angulosos e achatados. O terceiro tipo é constituído por relevos residuais e formado por mesas Basálticas, que são morros testemunhos isolados, com topos aplanaidos e arredondados, escarpados , com exposição de rochas. O Quarto tipo é formado por relevos de transição, onde se encontram encostas escarpadas com canyons, locais com declividade média entre 15 a 30% e vales fechados localmente formando canyons, (Maier,1983). 

       As características Geomorfológicas estende-se por várias províncias caracterizadas pelo Planalto Atlântico, Depressão Periférica, Cuestas Basálticas e Planalto Ocidental Paulista, segundo a subdivisão geomorfológica do Estado de São Paulo proposta por ALMEIDA (1964) e adotada no Mapa Geomorfológico do Estado de São Paulo (IPT 1981c).

A área possui cota máxima correspondente a 1200m no Planalto de Caldas e na região das nascentes do Rio Fartura e Rio do Peixe e cota mínima ligeiramente inferior a 500m, na região do Ribeirão Lambari.      

        Ocorrem nesta região relevo de colinas amplas, que ocupa as porções inferiores da Bacia próximo à confluência com o Rio Mogi-Guaçu, relevo de Serras no Planalto de Caldas próximo às cabeceiras dos rios Fartura e Peixe e também na porção mediana da Bacia (próximo as Cuestas Basálticas) e também relevos de morros.

Também estão representadas cartograficamente as planícies fluviais, que correspondem às áreas descontínuas da morfoescultura (Planalto Ocidental Paulista). As planícies são terrenos planos, de natureza sedimentar fluvial quaternária, geradas por processos de agradação (deposição de sedimentos), que correspondem às áreas sujeitas a inundações periódicas. O potencial de fragilidade destas planícies é muito alto por serem áreas sujeitas a inundações periódicas, com lençol freático pouco profundo e sedimentos inconsolidados sujeitos a acomodações constantes. 

 

Reverso de Cuesta


 

       O reverso de cuesta é caracterizado por terras relativamente mais baixas e pelo relevo suave, onde a inclinação do terreno, em geral, não passa de 12% de declividade como se observa na foto acima. A densidade de drenagem é baixa, pois predominam os solos arenosos com grande permeabilidade, sendo encontradas várias porções praticamente arreicas. O caráter ácido confere baixa fertilidade aos solos, exigindo aplicação de técnicas de correção e fertilização para uso agrícola. Entretanto, a facilidade de mecanização favorece o uso de extensões contínuas de terra, com destaque para as plantações de laranja. Esta unidade contém as maiores manchas de cerrado, que vêem sofrendo grande pressão antrópica, com os desmatamentos e as queimadas constantes. 

 

Fronte da Cuesta



Serra Grande, no Município de Descalvado

 

       As terras relativamente altas, o relevo acidentado e os solos de origem basáltica são características do domínio da frente de cuesta. O clima local é relativamente mais ameno e úmido, onde as temperaturas médias máximas são menores, a precipitação anual é maior e provavelmente menor a evaporação e transpiração. Estas condições climáticas mais favoráveis e a presença de solos quimicamente mais férteis podem ser associadas à presença da mata mesófila como cobertura vegetal predominante, que ocupa atualmente 23% das terras desta unidade.

As áreas de encostas exigem atenção especial em termos de conservação devido à ocorrência de remanescentes de vegetação natural, de áreas de mananciais e de recarga de aqüíferos e pela sua fragilidade diante dos processos erosivos.

       As cuestas são formas de relevo tabular, onde escarpas íngremes limitam um topo plano, formado por terras de maiores altitudes, que se contrapõem a terras mais baixas e de vertentes suaves. A foto acima documenta a região da Serra Grande, na porção sudeste de Descalvado, e mostram diferentes ângulos os elementos que compõem o padrão de relevo definido pelas cuestas basálticas. Na primeira foto, ao fundo, a Serra Grande representa a frente de cuesta, que caracteriza-se por elevações do terreno interrompidas de forma abrupta por paredões rochosos. Ao seu redor, encontram-se as terras que compõe o reverso de cuesta, constituído de planícies interfluviais relativamente mais planas e de menores altitudes. 

 

Caracterização Quantitativa 

       A Tabulação Cruzada é uma função que permite a interpolação de duas cartas temáticas e o cálculo da área de sobreposição de suas classes, onde a proporção em que duas classes ocorrem simultaneamente, estabelece padrões de correlação entre elas. Esta função foi aplicada para caracterizar quantitativamente as unidades morfopedológicas em função dos diversos fatores ambientais, como exemplificam os gráficos abaixo.


Associação das classes de hispometria e unidades morfopedológicas, em área de ocorrência na APA de Descalvado
 

       Observa-se a nítida concentração de terras altas na frente de cuesta, que abrange acima de 80% das áreas com mais de 800m de altitude. Em contraposição, o reverso de cuesta e os entalhes fluviais contém em média 70% das áreas entre 500 e 700m.

 


Associação das classes pedológicas e unidades morfopedológicas unidades morfopedológicas, em área de ocorrência de Descalvado
 

      Os tipos de solos foram quantitativamente associados a cada unidade morfopedológica, demonstrando a concentração de solos férteis, como Latossolo Roxo e Terra Roxa nos tabuleiros. Os solos Hidromórficos ocorrem quase que com exclusividade nos entalhes fluviais, em valores superiores a 90%. O reverso de cuesta contém a maior proporção de terrenos arenosos, como a Areia Quartzosa, comportando 70% de toda a área de ocorrência deste tipo de solo.

 

 

Tabuleiros 

       Os tabuleiros são morros testemunhos formados sobre blocos deslocados por falhamentos geológicos, que quando preenchidos por derrames basálticos, suportam cuestas locais. A área de recarga de aquíferos, associada à presença do embasamento geológico da Formação Botucatu, é bastante significativa nesta unidade, que concentra cerca de 50% do total encontrado na APA. A ocorrência de solos férteis, como Latossolo Roxo e Terra Roxa, favorece a utilização das terras para fins agrícolas. Entretanto, estas áreas estão sujeitas a intensos processos erosivos, onde um manejo adequado das terras é essencial para a manutenção da qualidade dos recursos hídricos e do potencial agrícola.       

       O Morro da Janelinha, que se encontra nesta unidade, é um dos pontos mais conhecidos de Descalvado, e tem este nome em função do afloramento rochoso que aparece entre a floresta e que pode ser visto de longe, dando a impressão de uma pequena janela.

 


Morro da Janelinha

 

Outros locais de destaque estão inseridos nesta unidade, como os Saltos do Pântano e do Gasoso, bem como morros isolados cobertos por vegetação nativa.

 


Morro coberto por remanescente de vegetação ao norte da APA

4.3 – clima 

       0 clima tropical abrange a maior parte da região Sudeste, envolvendo o Oeste paulista, parte do Triângulo Mineiro, a porção centro‑norte de Minas Gerais e toda a faixa atlântica. Caracteriza‑se por apresentar duas estações bem marcadas, com um verão muito chuvoso e um inverno com estiagem, às vezes muito seco. Porém as temperaturas são sempre elevadas. Destaque‑se que no trecho litorâneo, pela influência da umidade marítima, as chuvas são bem mais freqüentes que no interior, não se definindo claramente um período seco. No Norte de Minas Gerais, ao contrário, o clima tropical apresenta características mais próximas do semi‑árido do Nordeste, uma vez que as chuvas são escassas e apresentam uma distribuição mais irregular. 

       0 clima tropical de altitude abrange as áreas mais elevadas da região Sudeste, como a região serrana de São Paulo e do Rio de janeiro, o Centro‑Sul de Minas Gerais e parte do Oeste paulista. Apresenta também duas estações bem definidas, um verão chuvoso e um inverno mais seco, porém sua maior característica está nas temperaturas mais brandas, especialmente no inverno, em função da maior altitude e da influência das mascas de ar mais frias. 

       0 clima subtropical ocorre na porção mais meridional da região, ao sul do trópico de Capricórnio, em terras paulistas onde a Iatitude maior faz com que as temperaturas diminuam sensivelmente no inverno, definindo uma elevada amplitude térmica anual. As chuvas, pouco intensas, se distribuem regularmente por todos os meses do ano. 

A vegetação da região Sudeste reflete clima regional, sendo por isso bastante versificada. As principais formações são:

 

 

4.4 – Hidrografia

 

       As unidades de gerenciamento de recursos hídricos em que o Estado de São Paulo passa a ser oficialmente dividido, constam do mapa o qual inclui os limites das unidades hidrográficas, as divisas municipais e os limites das regiões de planejamento. Nele se constata, também, a inviabilidade de compatibilizarão da divisão hidrográfica com a regionalização do Estado em unidades de planejamento.

       Essas unidades de gerenciamento de recursos hídricos estão caracterizadas considerando-se: a vertente a que pertencem (bacia do Paraná ou vertente marítima); as regiões hidrográficas, que são partes ou conjuntos de bacias hidrográficas; e as 21 unidades de gerenciamento de recursos hídricos propostas e suas áreas de abrangência..

À medida que o Plano Estadual for sendo implantado essa divisão agora adotada poderá ser alterada. A agregação de novos dados sócio-econômicos e de uso do solo, mais recentes, poderá contribuir para essa alteração.

Ressalte-se que os estudos de planejamento dos recursos hídricos, dependendo do seu escopo, deverão contemplar regiões hidrográficas ou bacias com mais de uma unidade de gerenciamento de recursos hídricos como, por exemplo, as unidades sucessivas contidas na bacia do rio Pardo e Mogi Guaçu; as unidades vizinhas onde existam ou estejam previstas reversões de águas (Alto Tietê, Baixada Santista e Piracicaba); e as bacias hidrográficas compartilhadas com estados vizinhos.

Em outro estágio de detalhamento, as unidades de gerenciamento poderão ser subdivididas, em unidades de segundo nível, tendo em vista a formulação e implantação de planos e programas sub-regionais. Por exemplo a unidade do Alto Tietê poderá ser subdividida em:

Trecho 1: rio Tietê montante da Barragem da Penha;
Trecho 2: da Barragem da Penha até a Barragem Móvel na confluência com o rio Pinheiros;
Trecho 3: da Barragem Móvel até a Barragem Edgard de Souza, e
Trecho 4: da Barragem Edgard Souza até a Barragem do Pirapora.

A caracterização física e sócio-econômica das 21 unidades de gerenciamento de recursos hídricos consta de forma sucinta, na Tabela 1.
 
Tabela 1 - UNIDADE DE GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS DO ESTADO DE SÃO PAULO
                CARACTERIZAÇÃO FÍSICA

UNIDADE DE GESTÃO

ÁREA DA BACIA
( km 2 )

GEOMORFOLOGIA

GEOLOGIA

AQÜÍFEROS

VAZÃO MEDIA ESPECIFICA (l/s km 2 )

VAZÃO MÍNIMA ESPECIFICA (l/s km 2 )


Piracicaba


11.020

Depressão Periférica e Província Costeira

Pré-Cambriano e Carbonífero Superior

C-Cristalino
Pct-Tubarão
Kjb-Botucatu


12,79


3,90

Tietê/
Sorocaba

14.850

Depressão Periférica e Cuestas Basálticas

Permiano Indiso Pré-Cambriano e Carbonífero Superior

C-Cristalino Pct-Tubarão Kjb-Botucatu


9,09


2,56

Alto Tietê

5.650

Planalto Atlântico

Pré-Cambriano

C-Cristalino Csp-Cenozóico

14,51

4,25

Baixo Tietê

15.347

Planalto Ocidental

Cretáceo Superior

Kb-Bauru

7,23

2,08

Tietê Batalha

13.394

Planalto Ocidental e Cuestas Basálticas

Cretáceo Inferior

Kb-Bauru

7,83

7.84

Tietê Jacaré

11.537

Depressão Periférica

Cretáceo Superior

Ksg-Serra Geral Kjb-Botucatu

8,23

3,99

Aguapeí

13.203

Planalto Ocidental

Cretáceo Superior

Kb-Bauru

7,34

2,65

Peixe e Santo Anastácio

14.740

Planalto Ocidental

Cretáceo Superior

Kb-Bauru

7,59

3,19

Baixo Paranapanema

26.254

Planalto Ocidental

Cretáceo Superior e Inferior

Kc-Caiua
Kb-Bauru

9,25

4,30

Alto Paranapanema

22.730

Planalto Atlântico Depressão Periférica

Cretáceo Inferior

Pct-Tubarão Pen-Barra Dois Kjb-Botucatu

10,91

4,13

Ribeira de Iguape eLitoral Sul

16.791

Província Costeira

Pré Cambriano

C-Cristalino

30,29

10,73

Baixada Santista

2.887

Província Costeira

Quaternário

C-Cristalino

54,72

17,66

Litoral Norte

1.906

Província Costeira

Pré Cambriano e Quaternário

C-Cristalino

55,08

18,89

Paraíba do Sul

14.396

Planalto Atlântico

Pré Cambriano e Terciário

C-Cristalino Cta-Cenozóico

14,93

5,83

Mantiqueira

642

Província Costeira

Pré Cambriano

C-Cristalino

32,71

12,46

Alto Pardo-Mogi

11.291

Província Costeira Depressão Periférica

Pré Cambriano Carbonífero Superior

C-Cristalino 
Kjb-Botucatu Pct-Tubarão

14,88

4,25

Sapucaí Grande

9.077

Cuestas Basálticas

Cretáceo Inferior

Ksg-Serra Geral Basalto

15,97

3,86

Baixo Pardo-Mogi

12.180

Cuestas Basálticas

Cretáceo Inferior

Ksg-Serra Geral Basalto

15,92

4,60

Pardo-Grande

7.030

Planalto Central

Cretáceo Superior

Ksg-Serra Geral Kb-Bauru Basalto

11,80

3,56

São José dos Dourados

6.825

Planalto Central

Cretáceo Inferior Diabásico e Basalto

Kb-Bauru

7,61

2,20

Turvo-Grande

15.975

Planalto Central

Cretáceo Inferior Diabásico e Basalto

Kb-Bauru

7,63

2,00

 

Bacia Hidrográfica: Tietê/Sorocaba

 

       Sorocaba com 370 mil habitantes e Jundiaí com 340 mil destacam-se nesta região de 1,8 milhões de habitantes.

No setor agrícola é um importante centro produtor de hortifrutigranjeiros para abastecimento da RMSP. Na porção noroeste predomina a cultura de cana de açúcar.

Mecânica e metalúrgica compõem o principal ramo do setor industrial. Usinas de açúcar e álcool concentram-se na parte norte e noroeste.

Nos transportes destacam-se as rodovias Castelo Branco, Raposo Tavares e Marechal Rondon.

Sorocaba e Botucatu destacam-se no setor educacional com diversos estabelecimentos de ensino superior.

Municípios: Anhembi; Araçoiaba da Serra; Bofete; Boituva; Botucatu; Cabreúva; Campo Limpo Paulista; Capela do Alto; Capivari; Cerquilho; Cesário Lange; Conchas; Elias Fausto; Ibiúna; Indaiatuba; Iperó; Itu; Itupeva; Jundiaí; Laranjal Paulista; Louveira; Mairinque; Mombuca; Monte Mor; Pereiras; Piedade; Pirapora do Bom Jesus; Porangaba; Porto Feliz; Rafard; Salto; Salto de Pirapora; São Roque; Sarapuí; Sorocaba; Tatuí; Tietê; Várzea Paulista; Votorantim

.

Bacia Hidrográfica: Alto Tietê

 

       Seus 17 milhões de habitantes ocupam um território que quase coincide com a RMSP. Nessa unidade encontra-se São Paulo, a capital do Estado, com cerca de 12 milhões de habitantes, a maior cidade da América do Sul. Destacam-se, ainda, Guarulhos com 800 mil habitantes, São Bernardo do Campo (600 mil), Osasco (560 mil) e Santo André (550 mil).

A horticultura, situada preferencialmente na parte leste, é a principal atividade agrícola da região.

A indústria automobilística da região do ABC (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul) é o polo indutor das demais atividades industriais. A intensa concentração industrial gerou elevado crescimento dos demais setores econômicos : comércio, serviços e financeiros.

Todas as grandes rodovias do Estado convergem para esta área. É também o mais importante entroncamento ferroviário. É o mais destacado centro universitário do país.  

Municípios: Arujá; Barueri; Biritiba-Mirim; Caieiras; Cajamar; Carapicuíba; Cotia; Diadema; Embú; Embú-Guaçu; Ferraz de Vasconcelos; Francisco Morato; Franco da Rocha; Guarulhos; Itapecerica da Serra; Itapevi; Itaquaquecetuba; Jandira; Mairiporã; Mauá; Mogi das Cruzes; Osasco; Poá; Ribeirão Pires; Rio Grande da Serra; Salesopólis; Santana de Parnaíba; Santo André; São Bernardo do Campo; São Caetano do Sul; São Paulo; Susano; Taboão da Serra; Vargem Grande Paulista.

 

 

5- LEVANTAMENTO DE CAMPO

 

5.1 – Descrição dos Afloramentos

 

 

       Os afloramentos relatados e documentados em todo o trabalho de campo são juntos uma macro analise pedológica dos acontecimentos geológicos ocorridos na terra desde sua formação. Todo um contexto evolucionário influente na geomorfologia terrestre resultaram nos aspectos hoje relacionados e estudados. Os pontos de estudos relatados a seguir, dão um contexto estrutural e analítico sobre o perfil geológico da área delimitada ao estudo.  

 

5.1.1 – São Paulo Depressão Periférica   

 

Pt – 01  Rodovia Castelo Brando km 18, junto à base do leito do tiete, foi observado afloramento de      rochas ígneas desmostrando um perfil de falhas. A engenharia humana da rodovia expõe um conjunto de matação com grande percolação de água. Geologicamente a área pertence ao grupo são roque.

 
 


 


Pt – 02  Rodovia Castelo Branco km 53, verificado no local solo de alteração, base ígnea com alteração em exfoliamento com alta presença de feldspato. Foi observado um intenso processo erosivo com intensa decomposição da rocha notando as falhas, levando assim que o falhamento ajuda na alteração do solo.

 
 


 

Pt – 03  Rodovia Castelo Branco km 64, encontrado a presença de xisto, rocha metamórfica. Observação da fratura que cortou o pacote após sua formação, observação visual da alterações  do relevo que fica mais plaino com cumes arredondados.

 
 


 
 
 
   

Pt – 04  Rodovia Castelo Branco km 70, Verificado um extensa área de cizalhamento, com grande presença de granito rocha ígnea com características de falhamento. Também analisado pela característica do local uma alta capacidade de decomposição causado pelos esforços.   

 

 


Pt – 05  Rodovia Castelo Branco km 80, Neste local verifica-se a passagem para a Depressão Periférica, onde predomina um solo com granulométrica silte. Observa-se um grande pacote sedimentar com presença de lamito e arenito com deposição em camadas, notando-se facilmente os horizontes.  
 
 

 

Pt – 06  Rodovia Castelo Branco km 160, neste local verificamos a presença de rochas sedimentares, e solo já desenvolvido. Percebe-se granulométrica argilosa, organizado com deposição fluvial. Esta área já pertencente à bacia do rio Paraná desde o trevo na castelo na entrada de Sorocaba.

 
 

 

Pt – 7  Serra de Botucatu, chegando ao front da cuesta verifica-se nitidamente a grande presença de basalto dando suporte a cuesta. No mirante com visão a sudeste nota-se nitidamente a depressão periférica, analisando caminho futuro a percorrer no sentido baixada litorânea.

 
 

 

 

Pt – 08  Rodovia Castelo Branco km 189 Volta, No retorno pela castelo verificamos um corte que demostra o basalto todo fendilhado resultado de um intenso esforço. 

 
 


 

Pt – 09  Rodovia castelo Branco km 171 Volta, Encontrado neste local a presença arenito, área de deposito sedimentar, com clara evidencia que o agente de transporte foi fluvial. No pacote exposto verifica-se mudanças de cores caracterizando agentes de composição.

 
 

  


5.1.2 Baixada Litorânea

 

 
 


 
Bs – 01  Itanhaem, Foz do Rio Itanhaem, Verificado no primeiro ponto de estudo na baixada litorânea  a foz do rio Itanhaem, onde no caudaloso rio de largas margens tem um extenso estuário de transição  marinnho fluvial onde forma-se um extenso mangue. O aproveitamento humano do local é intenso, ancoragem de embarcações pesca e retirada de crustáceos no mangue gira comercialmente o local. Na foto abaixo tem-se em itanhaem a retirada de água do solo diminuindo o nível o lençou freático com um sistema de abertura de fossa. 

 
 


 

Bs – 02  Praia Grande, No sertão de Praia Grande, cinturão da periferia carente, observa-se o lençou totalmente aflorado, raso onde encontra-se loteamentos irregulares penetrando na restinga à borda da serra com problemas de saneamento básico. Na vegetação de restinga tem-se o efeito borda demostrado claramente, onde entramos na pioneira.

 
 

 

Bs – 03  São Vicente, Parada para verificar o mangue as margens da rodovia Padre Manuel da Nóbrega, entrada no mangue onde se vê um ambiente totalmente adverso com características umicas de fauna e flora. Observamos as risoforas, características da vegetação de médio porte com as raízes expostas, solo argiloso barrento com presença de carangueijos. 

 

 

Bs – 04  Ecovias, Subida da serra, Num ambiente de construção da segunda pista da rodovia imigrantes, foi observado a falha de Cubatão, e a ocupação irregular da encosta da será do mar sob a rodovia Anchieta, onde a população convive com o risco de desabamento.    

 

 

5.2 – Analise Petrografica

 

A petrografia

       Trata-se da ciência que descreve e classifica as rochas de acordo com sua composição mineralógica e química, origem e relações entre os grãos minerais constituintes. É uma disciplina relativamente recente. Antes de 1850, os estudos científicos das rochas se limitavam à descrição macroscópica das amostras junto aos estudos de campo.

       Em 1856, o inglês Sorby passou a fazer um estudo microscópico para a preparação das rochas, iniciando uma nova etapa na petrografia. Nas últimas décadas, os estudos petrográficos se desenvolveram bastante, graças ao aperfeiçoamento de técnicas de estudo ótico e de análise química.

De forma paralela, aprofundou-se o estudo dos mecanismos que originam as rochas, dando origem a um ramo específico da petrografia, a petrografia genética.

       A analise petrografica das amostras do trabalho são, Basalto,Camamento, Arenito, Granito.   

 

 6 – Modelo Geológico e a Estruturação Geomorfologica

 
 


 

AS GRANDES UNIDADES DO RELEVO PAULISTA E SUAS RELAÇÕES, COM A GEOLOGIA

 

As diversas propostas de compartimentação geornorfológica, regional do Estado, anteriormente referidas, mostram entre si muitos pontos em comum. Este fato é facilmente explicável quando se tem em conta que refletem basicamente o contexto morfo‑estrutural, admitindo em decorrência poucas alterações significativas na definição de províncias. 

É inegável que, metodologicamente, a compreensão da influência das diversas litologias e estruturas geológicas na composição do relevo deva ser o ponto de partida da cartografia geornorfológica (Tricart, 1965). 

No Estado de São Paulo, do litoral para o interior, passa‑se de urna costa recortada à nordeste de Santos e retificada a sul dessa cidade, a uma região serrana. Esta ora se apresenta na forma de escarpas abruptas e quase lineares, em que se nota mais claramente a disposição alongada dos paredões condicionada por linhas de falhas, ora se desfaz em uma morraria marcada por longos espigões, também alinhados segundo recortes feitos sob imposição estrutural. São as serras do Mar e Paranapiacaba, respectivamente. A ilustra a disposição dessas serras e condicionamento do relevo pelas litologias e zonas de falhamentos. 

Por essas feições galga~se um extenso planalto maturamente dissecado e desnivelado em setores, no qual se podem distingüir vários níveis de cimeira controlados pelo caimento regional da drenagem, reunidos sob a denominação de Planalto Atlântico. 

0 Planalto Atlântico acha‑se cortado pela alongada depressão SW‑NE do graben do Paraíba, limitada por falhamentos hoje já identificados. Preenchida pelos sedimentos da Bacia de Taubaté. Este acidente tectônico fez surgir um corredor montanhoso em suas bordas, originando a Serra da Mantiqueira a noroeste, e a sudeste um conjunto de espigões mais suavizados que sobem em direção aos planaltos da Bocaina eParaitinga, através da Serra do Quebra‑Cangalha. Na continuação sudeste do graben do Paraiba coloca‑se outro conjunto de falhas reativadas que levaram à deposição da Bacia de São Paulo. Nessas seqüências de terrenos sedimentares embutidos no cristalino, o relevo é caracteristicamente de colinas suaves, tabuliformes, e de amplas várzeas margeando os rios. 

Apoiando‑se sobre o embasamento cristalino, e estendendo‑se por todo o oeste paulista colocamse as seqüências sedimentares paleozóicas e mesozóicas da Bacia do Paraná. 

Dois fatores litoestruturais chamam logo a atenção nesse pacote vulcânico‑sedimentar: a disposição das camadas, com caimento suave para noroeste, e a presença de marcado horizonte de basaltos separando as rochas paleozóicas e mesozóicas inferiores, dos arenitos cretáceos pós‑basálticos. 

0 caimento das camadas condiciona uma tendência à formação de relevos estruturais, cuja maior manifestação, sem excluir afeiçoamentos por sedimentação, é o Planalto Ocidental. 

As rochas basálticas, mais resistentes que as que lhe são sotopostas, permitiram o desenvolvimento de erosão diferencial, originando a ampla escavação que constitui a Depressão Periférica, bem como as escarpas das linhas de cuesta. 

A escavação diferencial propiciada por rochas mais e menos resistentes manifesta‑se também no pacote infrabasáltico, originando, porém, tão somente relevos cuestiformes de pequena monta. 

Pode‑se dizer, em síntese, que ocorre no Estado de São Paulo uma compartimentação de relevos composta por diversos planaltos, dispostos numa seqüência clássica de um maciço antigo ladeado por rochas sedimentares não dobradas e com diferentes resistências: aos planaltos cristalinos sucede‑se uma depressão periférica, terminada em linha de cuestas; segue‑se, para oeste, o reverso da cuesta, prolongado físiograficamente por um extenso planalto de caimento regional conforme as estruturas de acamamento. 

Deve‑se finalmente ressaltar que um fenômeno tectônico de ordem mais geral permitiu que se produzisse essa seqüência de relevos: a epirogenese ascensional pós‑cretácica que, elevando todo território paulista, tem permitido acentuar, por meio da erosão e da efetiva remoção dos detritos produzidos pelo intemperismo, a estrutura geológica. 

 

 

7 – Proposta de Estudo do Meio 

       Sobre a proposta de estudo do meio, é muito importante em um contexto acadêmico na formação de um futuro profissional, tanto para o mercado de trabalho quanto para um magistrado a interação teoria pratica. Defenderia o estudo do meio como o realizado pela faculdade Santa’Anna, embasado em diversos fatores onde o curso de geografia necessita concretamente do trabalho de campo fechado em uma relação intrinsica, onde a presença do aluno fisicamente no ambiente já pré-estudado abre todo um espectro dimensional dinâmico e real nos conceitos antes embasados. A dinâmica de um trabalho de campo formulada posteriormente num relatório apresentado pelo aluno treina o futuro profissional as adversidades e dificuldades de uma elaboração didática do real, do visto, do analisado  em campo com toda teoria bibliográfica de embasamento teórico sobre o assunto de pauta. A necessidade da proposta de estudos do meio pelo Geógrafo é de total importância levando o profissional a atuar fisicamente com um olhar analítico o espaço geográfico. 

 

8 – Análise individual do trabalho 

       A minha analise do trabalho estudado, fecha um contexto teoria realidade, de conceitos antes dimensionados em minha mente sobre as formações geológicas hoje estudada (cuestas basálticas, baixada litorânea) que antes já conhecia em diversas oportunidades com grande admiração por sua beleza física, e hoje após estudos realizados em sala de aula e fisicamente no trabalho de campo vejo as com outros olhos.  Como estudante já venho montando um perfil técnico dos meios estudados com auxilio de metodologias vistas com este trabalho realizado. Saídas a campo como a de Botucatu e baixada com total esquematização de roteiros, infraestrutura de transporte, e comodidades para um bom trabalho acadêmico com o grande respaldo dos professores Ronaldo e Sandra, dão automaticamente um resultado de sucesso. O sucesso deste garante a motivação de futuros projetos ainda mais audaz e temáticos que venha a vir. Realizações com estas ganham todos, os alunos, os professores e a faculdade.        

 

9 – Bibliografia 

-            Monografias, Divisão de Minas e Geologia Aplicada, IPT

                             Referencia IPT, Chamami et al 1992, Matos 1995,

                             Cavina 1989, Caetano – Chang et al 1991,

                             Brighetti & Chang 1992, Riccomini 1995,1997,

                             Matos & Coimbra 1997, Schneider et al 1974,

                             Fernandes & Coimbra 1993, Wu &Chang 1992.

       -      Geomorfologia, técnicas e aplicações, Sandra Baptista e Antonio Jose Teixeira

-       Historia ecológica da terra, Maria Lea Labouriau

-           Geografia do Brasil, Jurandyr Rossi

-           Almanaque Abril, Editora Abril

-           Geografia da América, Melhem Adas

-           Sites Internet – Embrapa,

                                Governo do Estado de São Paulo,

                                Prefeitura de Brotas,

                                Guia de Botucatu

                                Servidores de Busca, Cadê, Yahoo. 

 

REALIZAÇÃO www.fiorgeograf.hpg.com.br

 

 fiorgeograf